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Pressão no campo: Como a alta do frete e o risco no preço do diesel desafiam a safra recorde em Maracaju

  • há 49 minutos
  • 3 min de leitura


Escoamento da safra (2026) a portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP)
Escoamento da safra (2026) a portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP)

O que antes era uma preocupação nos boletins nacionais, agora bate à porta do produtor rural de Maracaju. O anúncio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sobre a pressão altista nos preços do frete rodoviário, impulsionada pelo avanço da colheita da soja e pela expectativa de uma safra recorde de 178 milhões de toneladas, já começa a impactar o dia a dia no maior município produtor de grãos de Mato Grosso do Sul.

Se para o Brasil o desafio é logístico, para Maracaju ele é ainda mais sensível. O município, que frequentemente lidera rankings de produtividade e volume no estado, vive o ápice do escoamento da produção em um momento duplamente desfavorável: a disparada recente do petróleo no mercado internacional e o reajuste tributário no diesel.

O diesel e a conta do transporte

De acordo com o Boletim Logístico da Conab, o início intenso da retirada da soja das lavouras elevou a demanda por caminhões, especialmente no Mato Grosso, mas o reflexo disso se espalha pelo corredor centro-sul do país, impactando diretamente Mato Grosso do Sul .

Em Maracaju, onde a logística depende quase que exclusivamente do modal rodoviário para levar a produção até os grandes centros consumidores ou aos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), qualquer variação no custo do frete aperta a margem do produtor.

O cenário nacional, que já projetava aumento de custos para 2026, se materializou com o reajuste do ICMS sobre os combustíveis. Em janeiro, a alíquota fixa do diesel subiu de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro — um aumento de R$ 0,05 que, somado à alta recente do petróleo no exterior (com o barril do tipo Brent superando os US$ 80), acendeu o alerta vermelho no setor .

Impacto na ponta: da lavoura ao preço final

Especialistas alertam que o aumento do diesel não impacta apenas o frete da soja. Em Maracaju, a cadeia produtiva é integrada: o preço do combustível pesa no transporte de insumos (como fertilizantes, que também sofrem com a alta do petróleo), na operação das colheitadeiras e, por fim, no preço pago ao consumidor .

Dados do setor indicam que o transporte rodoviário pode representar até 15% do preço final dos alimentos. Em regiões afastadas dos portos, como é o caso de Mato Grosso do Sul, esse percentual tende a ser ainda maior . Com o diesel representando cerca de 50% dos custos variáveis de uma transportadora, o repasse é inevitável .

“O impacto no bolso do consumidor final é o último elo de uma corrente que começa na bomba de combustível em Maracaju. O preço do arroz, do feijão e da carne que chegam a Campo Grande ou São Paulo já está embutido nessa conta do diesel”, complementa uma análise do setor logístico .

Estratégias para enfrentar a tormenta

Diante da instabilidade, produtores e transportadores de Maracaju buscam alternativas para mitigar os prejuízos. A palavra de ordem é gestão.

Entre as estratégias apontadas por especialistas estão a revisão constante da tabela de fretes (para que os valores cobrados estejam alinhados com os custos operacionais reais), a otimização de rotas para reduzir o consumo de combustível, e a negociação com embarcadores baseada em dados concretos de custo .

Há ainda uma preocupação de longo prazo. O diretor da Brudam, empresa de tecnologia logística, sugere que a eficiência energética e o uso de tecnologia são o caminho para a sobrevivência: "Com o diesel mais caro, rotas mal planejadas viram um ralo de dinheiro. O produtor e o transportador precisam enxergar a logística não como um custo fixo, mas como uma variável que pode ser otimizada" .

O que esperar?

Com a safra recorde batendo à porta e o cenário internacional de tensão no Oriente Médio mantendo o petróleo em alta , a expectativa é de que o frete continue pressionado em Maracaju. A combinação de alta demanda por caminhões, infraestrutura rodoviária saturada e combustível em disparada cria um ambiente de desafios para um dos principais celeiros do agronegócio sul-mato-grossense.

Enquanto isso, no escritório da fazenda e na beira da estrada, a conta é simples: colher bem já não basta. É preciso fazer o grão chegar ao destino sem que o trajeto entre a lavoura e o porto pese mais do que o próprio trabalho no campo .

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