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Milho safrinha em MS: boa produtividade, mas geada e lagartas elevam custos

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura



Maracaju (MS) – A segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul avança com perspectivas positivas de rendimento, mas produtores seguem em alerta. Os riscos de geada, o aumento de pragas e a pressão sobre os preços são os principais desafios nesta reta inicial de colheita, que começa agora na região oeste do estado. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, a consultora e produtora rural Isadora Rodrigues, de Maracaju, fez um raio-x da safra 2025/2026 e destacou que, apesar das condições climáticas favoráveis em grande parte do ciclo, o produtor precisa estar atento a cada etapa.


Segundo Isadora, o mês de maio registrou chuvas acima da média na região oeste de Mato Grosso do Sul, o que beneficiou o desenvolvimento do milho. As temperaturas variaram, mas, no geral, as lavouras apresentam bom aspecto. “A segunda safra sempre é delicada por causa do risco de geada. Este ano tivemos condições boas, e a expectativa é que a produtividade comece um pouco mais lenta no início da colheita, mas avance bem. Ainda assim, menos da metade das áreas escapou do risco de geada, então o sinal de alerta continua”, afirmou.


Os trabalhos de colheita tiveram início nesta semana na região oeste, enquanto o norte do estado já começou antes. Isadora explica que as chuvas recentes atrasaram levemente o processo, pois o milho precisa perder umidade para ser colhido de forma eficiente. “As primeiras cargas já saem agora, mas é preciso esperar o grão secar um pouco mais. Isso é normal, mas exige paciência do produtor”, comentou.


A expectativa para a safra é positiva. A produtividade média em Mato Grosso do Sul deve ficar em torno de 84 sacas por hectare, mas em Maracaju e arredores os números devem superar essa marca. “A região aqui está um pouco melhor que outras. A tendência é que a produtividade fique acima da média estadual”, destacou a consultora. O otimismo, porém, esbarra na preocupação com os preços. Com o avanço da colheita, a oferta aumenta e o comprador ganha poder de escolha, o que pode pressionar os valores para baixo.


Um dos pontos mais críticos citados por Isadora foi o controle de lagartas. Mesmo com a maioria das sementes sendo transgênicas – o que, teoricamente, reduziria a necessidade de aplicações extras –, os produtores tiveram que fazer de duas a três aplicações a mais focadas no combate à praga. “O produtor já pagou mais caro pela semente para não ter que lidar com manejos extras, mas este ano a dificuldade foi geral. Isso aumentou significativamente o custo de produção”, afirmou.


Na semana passada, chegaram a surgir propostas acima de R$ 50 por saca, mas apenas para negócios pontuais e com volumes atraentes. Isadora orienta os produtores a olharem o panorama geral da comercialização. “Quem tem lotes pequenos precisa fazer a média para conseguir melhores condições. Com o início da colheita, o comprador vai escolher de quem comprar, então é um momento desafiador”, avaliou.


Mesmo com a colheita do milho em andamento, os produtores já estão de olho na próxima safra de soja. Isadora informa que a manutenção de máquinas, o planejamento do manejo pós-colheita e a compra de insumos para a soja estão 80% encaminhados. O grande temor agora é o impacto do fenômeno El Niño, que pode trazer ondas de calor e chuvas irregulares. “Dependendo da região, o El Niño pode aumentar as precipitações, mas o calor excessivo é o que mais preocupa. O produtor já está pensando em janelas de semeadura para escapar dos piores momentos”, explicou.


Ao finalizar, Isadora fez um alerta importante sobre o crédito rural. Com o anúncio do novo Plano Safra na semana passada, ela reforça que o produtor precisa ter os dados de custos e rentabilidade bem organizados. “O crédito está cada vez mais escasso e difícil de acessar. Mesmo com a redução da taxa de juros, a facilidade de antigamente não existe mais. É fundamental ter a casa organizada e usar o crédito com estratégia”, concluiu.


A colheita do milho safrinha em Mato Grosso do Sul será acompanhada de perto pelo Notícias Agrícolas, assim como os preparativos para a próxima temporada da soja. A reportagem segue em contato com produtores e consultores para trazer as atualizações do campo.


Reportagem: Notícias Agrícolas | Edição e adaptação: equipe de conteúdo | Data: julho de 2026

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