Golpe do Falso Técnico de TI desvia mais de R$ 660 mil de agência do Sicredi em MS
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Criminoso se passou por suporte de informática e convenceu funcionários a realizar transferências durante quase duas horas; dinheiro foi parar em 16 contas diferentes.
CAMPO GRANDE, MS – Uma agência do Sicredi localizada no Bairro Nova Lima, em Campo Grande, foi alvo de um golpe telefônico sofisticado em setembro de 2025, resultando em um prejuízo de R$ 665 mil para a cooperativa. O caso, que só veio a público agora, é investigado pela Polícia Civil.
O crime aconteceu no dia 3 de setembro de 2025, por volta do meio-dia, e durou aproximadamente duas horas. Utilizando técnicas de engenharia social, o estelionatário conseguiu ludibriar a equipe da agência ao se passar por um técnico de tecnologia da informação (TI) do Centro Administrativo Sicredi (CAS).
A Dinâmica do Golpe
1. Primeiro Contato: A ligação foi feita para o telefone fixo da agência. Uma estagiária atendeu e o homem, identificando-se como funcionário do suporte de TI do CAS, pediu para falar com o setor responsável, ganhando a confiança inicial.
2. Engajamento do Caixa: A ligação foi transferida para o funcionário que operava o caixa. O falso técnico alegou que precisava configurar o terminal para habilitar um novo procedimento de autorização de depósitos em espécie.
3. "Testes" com Dinheiro Real: Para simular a configuração, o golpista orientou o caixa a realizar depósitos de teste utilizando dados de contas (agência, conta e nome) fornecidos por ele. A instrução era reiniciar o terminal a cada depósito de até R$ 10 mil, valor que não exigia autorização de um gestor naquele momento.
4. Exploração da Ausência: Durante a longa ligação, que chegou a ser transferida para o celular do funcionário, o criminoso foi informado (não se sabe se pelo próprio funcionário) que o tesoureiro não estava na agência. Aproveitando-se da informação, ele tranquilizou o caixa, afirmando que, na ausência do tesoureiro, ele próprio (o falso técnico) poderia autorizar valores superiores a R$ 10 mil.
5. Valores e Pulverização: As operações continuaram, mesmo quando uma funcionária substituiu o caixa inicial. Foram realizados diversos depósitos, sendo o maior deles de R$ 70 mil. Ao todo, o montante de R$ 665 mil foi distribuído (pulverizado) em 16 contas-correntes diferentes, de pessoas aleatórias, para dificultar o rastreamento.
6. Fim da Fraude: O golpe só foi interrompido quando a funcionária que realizava as últimas operações considerou os valores e a situação incomuns e passou a questionar a identidade do interlocutor. Sem respostas plausíveis, ela encerrou a ligação.
A Polícia Civil tenta agora identificar o criminoso, que utilizou um telefone com DDD 46, da região sudoeste do Paraná.
Histórico de Fraudes Semelhantes
Não é a primeira vez que cooperativas do Sicredi em Mato Grosso do Sul são alvo de criminosos. De acordo com a reportagem, no ano passado, a Sicredi União MS também sofreu um golpe, com prejuízo de R$ 220 mil.
Naquela ocasião, os criminosos clonaram o telefone celular de um diretor da cooperativa. Passando-se por ele, enviaram mensagens a um assessor, que repassou o contato para o setor de pagamentos. Uma funcionária, acreditando ser uma ordem legítima da diretoria, realizou três transferências para contas indicadas. O dinheiro também foi rapidamente pulverizado, e a funcionária acabou demitida após o episódio.
Matéria atualizada em 20/02/2026, com base em informações do Correio do Estado.








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