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Editorial: Acolher vítimas é dever do poder público

há 12 horas
2 min de leitura

Parceria entre Maracaju e MPMS para o Projeto Acolhida é avanço institucional, mas só terá efeito real se sair do papel com rede integrada, formação continuada e monitoramento.
Parceria entre Maracaju e MPMS para o Projeto Acolhida é avanço institucional, mas só terá efeito real se sair do papel com rede integrada, formação continuada e monitoramento.


A violência grave não atinge apenas a vítima direta. Ela alcança familiares, crianças, vizinhos e toda a comunidade, produzindo vulnerabilidades que exigem resposta rápida e humanizada do Estado. Nesse contexto, a assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre a Prefeitura de Maracaju e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, para implantação do Projeto Acolhida, representa um avanço necessário. O acordo reconhece que segurança pública e proteção social caminham juntas e que o atendimento às vítimas de crimes graves — como homicídio, feminicídio e latrocínio — não pode ser tratado de forma fragmentada.


A proposta tem méritos claros. Com vigência de 60 meses, a cooperação prevê levantamento dos serviços de saúde, educação e assistência social, organização do fluxo de atendimento às famílias afetadas, facilitação do acesso de dependentes à rede escolar e prevenção de situações de vulnerabilidade e risco. Também contempla materiais educativos, capacitações periódicas e observância da Lei Geral de Proteção de Dados. São elementos que, bem articulados, podem evitar a revitimização e garantir suporte humano e institucional a quem mais precisa.


O desafio, como sempre, está na execução. Termos de cooperação não produzem resultados por si sós. É preciso definir responsabilidades, prazos, equipes capacitadas e indicadores de acompanhamento. A rede municipal deve funcionar de forma integrada, com escuta qualificada, sigilo e encaminhamentos efetivos. O compromisso de 60 meses também exige continuidade administrativa, para que o projeto não se perca em trocas de gestão ou em ações pontuais.


Maracaju dá um passo importante ao aderir ao Projeto Acolhida. Mas a assinatura é apenas o começo. O sucesso dependerá da transparência, da destinação de meios adequados e da capacidade de monitorar resultados. Se bem implementado, o projeto pode proteger direitos, reduzir danos e interromper ciclos de violência. Que a parceria saia do papel e se converta em acolhimento concreto. É o que se espera.

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