Do milho ao amendoim: Assentamento Itamarati se consolida como polo de sementes com apoio do PAA
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Dia de Campo reuniu agricultores, indígenas, cooperativas e autoridades de três níveis de governo para celebrar a colheita e traçar novos horizontes para a agricultura familiar em Mato Grosso do Sul
Por Demis Toledo
Itamarati II (MS) – 03 de setembro de 2026
Na manhã deste dia 3 de setembro, o Lote 523, no Grupo Agrifat FETAGRI, foi palco de um encontro que uniu técnica, política e esperança. O "Dia de Campo – Colheita do Milho para Sementes" reuniu centenas de agricultores familiares, lideranças indígenas, representantes de cooperativas e autoridades dos governos federal, estadual e municipal. Mais do que uma demonstração de maquinário e grãos, o evento escancarou o funcionamento de uma engrenagem virtuosa: a produção de sementes que abastece o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e garante segurança alimentar e renda para famílias em todo o estado.
Um palco montado para a política pública
O clima era de confraternização e trabalho. Enquanto um almoço com churrasco era preparado com carinho pelas cozinheiras da comunidade, a mesa de autoridades foi composta por nomes que representam toda a cadeia produtiva. Estavam lá o presidente da Associação Abrão Lincoln, Jaques Echeberria; o presidente da COPAPIS; representantes do MST e dos produtores rurais; além do subprefeito do distrito, Vitor Carlos Neves, que trouxe o abraço do prefeito municipal Eduardo Campos.
Do lado estadual, a secretária executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Povos Tradicionais do Mato Grosso do Sul, Carla Betânia, marcou presença acompanhada de sua equipe técnica, Éder Velasques e Maria Tainara. A FUNAI foi representada pelo servidor Paulo Pereira da Silva, que atua na linha de fronteira de Ponta Porã.
Em sua fala, Carla Betânia fez questão de explicar o ciclo que move o evento. “O PAA realmente é uma política que chega no produtor por várias vezes, comprando alimento e, neste caso, comprando a semente da agricultura familiar e devolvendo para a própria agricultura familiar ou para os povos originários. Compra a semente do produtor, ele planta, a gente compra o produto e passa para famílias em vulnerabilidade. É um ciclo virtuoso”, destacou a secretária, que também transmitiu os cumprimentos pessoais do governador Eduardo Riedel e do secretário Arthur Falcette.

O olhar indígena e a quebra de barreiras
Um dos momentos mais simbólicos do evento foi a fala do representante da FUNAI, Paulo Pereira. Ele lembrou que a parceria com o governo federal e estadual, por meio da SEMADESC, está levando o PAA para dentro das aldeias, algo que ainda é uma novidade para muitos.
“O PAA foi um caminho que foi aberto, ainda é novidade para muitas comunidades, pros Guarani Kaiowá da nossa linha de fronteira. Mas esse desafio nós vamos quebrando dia a dia com todos os nossos trabalhos e esforços”, afirmou Paulo, que agradeceu ao coordenador regional Tonico Benites e destacou a presença de famílias indígenas no assentamento. “É muito importante ver as famílias indígenas representadas aqui. Esse programa está mudando a qualidade de vida deles.”
O subprefeito Vitor Carlos Neves endossou a importância da política, mas fez questão de devolver os holofotes a quem realmente planta. “Os grandes protagonistas são vocês, agricultores e agricultoras. Conversando com o ‘Pé de Anjo’ e o Neno, a gente falava do valor agregado. Produzir semente agrega valor, mas nada impede que vocês tenham também uma boa colheita em volume. É uma política pública que tem várias mãos e que chega até vocês. Nós, governo, só estamos cumprindo nossa obrigação.”
A voz de quem executa: diversificação e futuro
Se os discursos oficiais validaram a parceria institucional, foi o coordenador local, Ronaldo, quem deu a dimensão estratégica do projeto. Ele se apresentou como coordenador de uma “junção de cooperativas, associações e empresas” e revelou que a produção de milho para sementes é apenas o primeiro passo de um plano muito mais ambicioso.
“Esse evento traz a semente que vai dar o futuro da produção do agro. Já fizemos venda para a SEMADESC, para a CONAB e para o governo federal, e essas sementes são direcionadas para a agricultura familiar, quilombolas e indígenas”, explicou Ronaldo.
Mas o que chamou a atenção foi a projeção para os próximos ciclos. Ronaldo anunciou que o assentamento já está programando a produção de sementes de amendoim, grão-de-bico, feijão, maniva de mandioca e mudas de batata. “Isso é só o início. Vamos gerar vários benefícios para associações e cooperativas.”
Ele também detalhou o destino do produto: a semente colhida agora será beneficiada (processada) e comercializada com os governos, chegando às mãos de outras cooperativas em todo o estado, especialmente para os povos originários e quilombolas, para que eles próprios possam produzir e comercializar em suas comunidades.
O sonho da estrutura própria
Além da colheita e dos planos de diversificação, um assunto rondou as conversas paralelas e foi até levantado durante os discursos: a necessidade de uma usina beneficiadora de sementes dentro do próprio assentamento. A construção do equipamento é vista como o próximo passo para que a cooperativa COPAPIS e a Associação Abrão Lincoln conquistem ainda mais autonomia, reduzindo custos e aumentando a margem de lucro dos agricultores.
Ronaldo reforçou a parceria inabalável com o poder público. “Temos parceria com o governo federal através do secretário nacional Humberto Melo, com a Carla Betânia da SEMADESC, e com o Ministério do Desenvolvimento Social. Ninguém mede esforços para fazer essa semente chegar com qualidade na mão dos produtores.”

Plantando o futuro, colhendo resultados
Ao final das falas, o mestre de cerimônias encerrou a parte protocolar com bom humor: “Agora a gente vai partir pro que interessa ali, que é o almoço”. E, de fato, a confraternização que se seguiu simbolizou o espírito do evento – um misto de conquista, luta diária e união comunitária.
O que fica claro é que o Dia de Campo no Lote 523 foi muito mais do que uma demonstração técnica. Foi uma prestação de contas à sociedade, uma confirmação de que o PAA está vivo e funcionando, e um sinal de que o assentamento Itamarati não quer ser apenas um produtor de grãos, mas um polo multiplicador de sementes de alto valor agregado, gerando dignidade no campo e alimento na mesa de quem mais precisa.
Como diz o slogan estampado no convite, ecoado por cada discurso e cada saca de milho colhida: “Juntos, plantamos o futuro e colhemos resultados.” E, se depender do trabalho de Ronaldo, Carla Betânia, das lideranças indígenas e dos agricultores presentes, o futuro já está sendo semeado – em feijão, amendoim, milho e muito mais.







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