Exportações de milho disparam em março de 2026, mas produtores de Maracaju sentem aperto no bolso
- há 6 horas
- 3 min de leitura

O ritmo acelerado de embarques tem garantido liquidez no mercado internacional, mas, dentro do país, o cenário é de preços voláteis e disputa acirrada por fretes. Em Maracaju (MS), maior produtor do cereal em Mato Grosso do Sul, a situação é de cautela: a oferta do grão está mais apertada e os custos de transporte seguem em alta.
Maracaju e a força da safra 2025/2026
Considerada o celeiro do milho sul-mato-grossense, Maracaju entra na safra 2025/2026 com números expressivos. De acordo com o último levantamento da Aprosoja/MS, até 20 de fevereiro de 2026, o estado já havia plantado 673 mil hectares de milho segunda safra, com as lavouras em condições majoritariamente boas. Os preços do cereal disponível no município foram cotados na faixa de R$ 50,00 por saca no final de fevereiro, um valor competitivo, mas que ainda sofre com as oscilações do mercado.
No entanto, a oferta imediata do grão tem se mostrado limitada. Produtores locais, focados na colheita da soja e no plantio da safrinha, seguram os lotes disponíveis, aguardando melhores condições de venda. Enquanto isso, as indústrias tentam garantir matéria-prima para o curto prazo, criando um descompasso entre procura e disponibilidade.
Custos de frete sobem e apertam margens
Um dos principais gargalos para os agricultores de Maracaju tem sido o aumento expressivo dos fretes. A alta do diesel — agravada pelos conflitos no Oriente Médio — elevou os custos logísticos em todo o país. Entre dezembro de 2025 e março de 2026, a Conab precisou realizar quatro leilões públicos para tentar equilibrar o transporte de grãos, totalizando R$ 17 milhões em contratos.
Esse cenário afeta diretamente o escoamento da produção de Maracaju, que depende do modal rodoviário para chegar aos portos do Sul e Sudeste. A disputa por fretes tem se tornado ainda mais acirrada com o avanço da colheita da soja, e os produtores temem que os custos adicionais comprometam a rentabilidade da safra.
Preços internos: entre altas e baixas regionais
Enquanto o mercado externo aquece, os preços internos seguem instáveis. Em Campinas (SP), referência nacional para o indicador Esalq/BM&FBovespa, o valor da saca ficou estável em R$ 75,00 durante março, segundo a Safras & Mercado[:3]. Já na região da Mogiana Paulista, o preço médio subiu 2,86%, passando de R$ 70,00 para R$ 72,00 por saca.
Em Mato Grosso do Sul, os valores são mais modestos. Em Dourados, a saca foi cotada a R$ 58,00, e em Campo Grande, o mesmo valor. Maracaju, que costuma seguir a média estadual, ainda negocia o milho disponível em patamares semelhantes, mas com tendência de alta caso a retenção do produto continue.
Expectativas para os próximos meses
Com a segunda safra de milho em andamento e os estoques de passagem estimados pela Conab em 12,68 milhões de toneladas — volume bem superior ao registrado na temporada anterior, de apenas 1,88 milhão de toneladas — a oferta de grãos tende a aumentar nos próximos meses. Isso poderia pressionar os preços internos para baixo, beneficiando consumidores e indústrias, mas reduzindo a margem dos produtores.
Em Maracaju, a aposta é na qualidade do grão e na eficiência logística. A cidade segue como referência estadual e mantém sua posição de destaque no ranking de produção. No entanto, os agricultores pedem atenção às políticas de frete e incentivos fiscais, especialmente em um ano de custos elevados e incertezas climáticas.
“A restrição na oferta ocorre mesmo em um cenário de colheita de safra verão em andamento e de estoques de passagem confortáveis”
— Pesquisadores do Cepea, sobre o atual momento do mercado de milho
A expectativa agora é que o governo federal adote medidas para conter a alta dos combustíveis e estabilizar os custos de transporte. A recente medida provisória que zerou tributos sobre o diesel foi um primeiro passo, mas o setor produtivo ainda aguarda soluções estruturais para garantir o escoamento da safra.
Fontes: SECEX, Safras & Mercado, Aprosoja/MS, Conab, Cepea, Broto Notícias, Economic News Brasil e Scot Consultoria.






Comentários