BOMBA: PAGAR MAIS POR ESGOTO QUE NEM LIGOU! Reajuste da Sanesul em MS é tiro no bolso do consumidor; aumento é 3 vezes maior que inflação
- Redação

- 3 de dez.
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Moradores de bairros como Vila Juquita, Giazone, Nene Fernandes, Ilha Bela, Olídia Rocha e Adrien estão entre os afetados.

Um aumento que já nasce sob o signo da polêmica e da injustiça. A tarifa de água e esgoto nos 68 municípios atendidos pela Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) vai subir 14,60% a partir de 1º de janeiro de 2026 – índice que é três vezes superior à inflação oficial acumulada em 12 meses, de 4,68%.
A autorização, dada pelo presidente da Agência Estadual de Regulação (Agems), Carlos Alberto de Assis, e homologada pelo governador Eduardo Riedel (PP), via Portaria 314, tem um detalhe que explode a bomba-relógio no bolso do contribuinte: milhares de famílias em novos loteamentos e bairros em expansão vão começar a pagar este reajuste pelo serviço de esgoto antes mesmo de estarem conectadas à rede.
É o caso de moradores de bairros como Vila Juquita, Giazone, Nene Fernandes, Ilha Bela, Olídia Rocha e Adrien, onde as obras de rede coletora foram recentemente concluídas ou ainda estão em fase final de ligação domiciliar. Esses cidadãos, que hoje utilizam fossas sépticas, começarão 2026 pagando um valor majorado por um serviço de esgoto que, na prática, ainda não usufruem.
"É um absurdo! A rua foi aberta, o cano passou na minha porta, mas até hoje ninguém veio fazer a ligação da minha casa. E agora vou pagar mais caro por isso? É pagar por algo que não chega", desabafa a dona de casa moradora da Vila Juquita. A realidade dela se repete em centenas de residências nos bairros citados.
A JUSTIFICATIVA E A REVOLTA
Conforme a Portaria 314, publicada nesta quarta-feira (3) no Diário Oficial, o reajuste astronômico se refere à "2ª revisão tarifária" e atende a um "pedido de reequilíbrio econômico-financeiro" da Sanesul. A empresa alega necessidade de cobrir custos com investimentos, incluindo a própria expansão da rede.
Mas o argumento não convence quem está do outro lado do balcão. "Eles usam a obra que fez, que é obrigação deles, para justificar um aumento abusivo sobre quem ainda não se beneficia dela. É colocar a carroça na frente dos bois e fazer o povo puxar", critica um Morador do Giazone.
Além do aumento de 2026, que elevará a tarifa média técnica para R$ 6,78, já está definido outro reajuste para 2027: 7,62%, mais que o dobro da inflação projetada para aquele ano. Ou seja, a conta só vai ficar mais salgada.
OS NOVOS PREÇOS
Com o reajuste, a conta fixa básica para todos os clientes sobe para R$ 17,60. Para o consumidor residencial normal, o metro cúbico de água vai de R$ 6,70 a R$ 17,43, e o de esgoto, de R$ 3,35 a R$ 8,72.
Para comerciantes e industriais, o impacto é ainda maior: a indústria pagará entre R$ 13,25 e R$ 28,09 pelo m³ de água e até R$ 14,04 pelo m³ de esgoto. Um custo que deve ser repassado aos preços, afetando toda a economia do estado.
Enquanto isso, para mais de 702 mil clientes em Mato Grosso do Sul, o ano novo começa com uma notícia amarga: o preço da água e do esgoto, essenciais à vida e à saúde, subirá muito além do custo de vida, em um ajuste que muitos consideram um tiro no escuro – e no bolso – da população.








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