Almir Sater brilha na Noite dos Campeões da COP15 em Campo Grande
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Em meio a delegações de mais de 130 países, artista sul-mato-grossense celebra a cultura pantaneira no maior evento global sobre espécies migratórias já realizado no Brasil
A capital sul-mato-grossense tornou-se, nesta semana, o epicentro mundial das discussões sobre biodiversidade e proteção de espécies migratórias. Entre os dias 23 e 29 de março de 2026, Campo Grande sedia a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15), evento inédito no Brasil que reúne representantes de mais de 130 países .
Em meio à agenda de negociações diplomáticas e painéis técnicos realizados no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, um momento emblemático uniu a diplomacia ambiental à alma cultural de Mato Grosso do Sul: a apresentação do cantor e compositor Almir Sater na "Noite dos Campeões", realizada na noite desta segunda-feira (23) .
Uma noite de celebração e reconhecimento
A "Noite dos Campeões" foi idealizada para homenagear pesquisadores que, nos últimos três anos, desenvolveram projetos de relevância internacional para a conservação de espécies migratórias. Em um ambiente que reuniu cientistas, autoridades e delegações estrangeiras, Almir Sater subiu ao palco para representar — como poucos — a conexão entre a cultura pantaneira e a causa da preservação ambiental .
O artista, que recentemente foi nomeado Embaixador Honorário do Pantanal Sul-Mato-Grossense pelo governador Eduardo Riedel, levou ao evento internacional um repertório que traduz em música a essência do bioma. O show ocorreu em um contexto simbólico: a delegação da Arábia Saudita, formada por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa da Vida Selvagem, estava entre os convidados especiais da noite, destacando a dimensão global do encontro .
Música que atravessa fronteiras
A presença de Almir Sater na programação da COP15 reforça o papel da cultura como ponte entre o conhecimento científico e a sensibilização ambiental. O cantor construiu, ao longo de mais de quatro décadas de carreira, uma obra que celebra o Pantanal e seus modos de vida — tema central das discussões da conferência.
A escolha de Campo Grande como sede da COP15 não foi casual. O estado de Mato Grosso do Sul abriga parte significativa do Pantanal, a maior área úmida tropical do mundo, que serve como corredor ecológico para inúmeras espécies migratórias, incluindo aves, peixes e mamíferos que cruzam fronteiras internacionais .
Uma semana de debates globais
A COP15, organizada sob o lema "Fortalecendo a Conexão entre Natureza e Desenvolvimento Sustentável", teve seu Segmento de Alto Nível aberto no domingo (22) com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Paraguai, Santiago Peña, e da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva .
Durante a cerimônia de abertura oficial na manhã de segunda-feira (23), antes da Noite dos Campeões, o público presente também foi brindado com outra expressão da cultura sul-mato-grossense: o multi-instrumentista Marcelo Loureiro, conhecido como "som vivo do Pantanal", apresentou-se com viola e harpa, executando o tema da novela Pantanal — que se tornou um hino da conservação — e uma canção de Almir Sater, "Luzeiro", que com sua melodia simula o galope de um cavalo .
Loureiro também emocionou os participantes ao tocar uma composição que remete às águas cristalinas do Pantanal, conectando, através da música, os presentes à riqueza natural que a conferência busca proteger .
A força da diversidade cultural
A abertura da COP15 também foi marcada pela participação de povos indígenas e comunidades tradicionais, considerados atores fundamentais na preservação dos ecossistemas. Integrantes do povo Terena apresentaram a tradicional "Dança da Ema", enquanto representantes quilombolas ressaltaram a importância da garantia de seus territórios para a proteção de biomas como o Pantanal .
A secretária-executiva da convenção, Amy Fraenkel, destacou, durante a abertura, que cerca de 49% das espécies protegidas pela CMS apresentam populações em declínio, embora tenha apontado avanços pontuais resultantes de políticas de conservação .
Um palco para o Pantanal
A escolha de Almir Sater para se apresentar na Noite dos Campeões não foi apenas um acerto de programação cultural. Representa o reconhecimento de que a proteção das espécies migratórias — tema central da COP15 — está intrinsecamente ligada à preservação das culturas que habitam os territórios por onde esses animais transitam.
Como afirmou recentemente o governador Eduardo Riedel ao conceder ao artista o título de Embaixador do Pantanal, Almir Sater é "a voz da alma pantaneira" — uma voz que, nesta semana, ressoou para o mundo a partir de Campo Grande, levando a mensagem de que desenvolvimento e conservação podem, sim, caminhar juntos.
A COP15 segue até o próximo domingo (29), com a expectativa de que as discussões resultem em novos compromissos internacionais para a proteção das rotas migratórias e dos habitats que sustentam a biodiversidade global — uma agenda que encontra no Pantanal, e em sua gente, um exemplo vivo de resistência e esperança . (imagem reprodução )






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